Sábado, Novembro 21, 2009
Clube de Combate
Foi como levar um murro no estômago e gostar! Mas façam o que fizerem, não falem disto a ninguém. The first rule of Fight Club is, you do not talk about Fight Club.
Hoje passam 10 anos que Fight Club chegou às salas de cinema, dividindo na altura críticos e audiências na opinião sobre o filme. A Empire explica alguns pormenores da história de como chegou a filme.
Domingo, Agosto 30, 2009
Quase monólogo de Ethan Hawke sobre cinema
Ser actor
Sábado, Agosto 29, 2009
Do Diário da Esperança à Palermice Genial
Filmes com temas sumarentos a virem por aí:
Domingo, Julho 19, 2009
Tales of the junket
The Art of the Junket
When you finish a film there are numerous duties thenceforth: appearances, publicity and distribution, to name just a few. So if you're lucky enough to have the reel stuff hit the fan, every studio and filmmaker needs that special place to hold... The Junket.
Tales of the junket
A new Julia Roberts comedy aims to satirise the great Hollywood institution in which heavily policed access to movie stars is traded for TV footage and column inches. Does the film get it right? US entertainment journalist Gary Susman, who has been to hundreds of these events, explains this surreal world - and asks other veterans for their stories
O novo projecto de Stallone

O que é The Expendables?
É o novo filme de acção realizado e escrito por Sylvester Stallone (que não Rocky ou Rambo) com uma panóplia de peritos em acção nunca reunidos no mesmo filme. Senão reparem: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Eric Roberts, Mickey Rourke, Arnold Schwarzenegger.
Parte da rodagem está a ser no Brasil.
Domingo, Julho 12, 2009
Public Enemies
Inimigos Públicos, de Michael Mann e com Johnny Depp. Estreia em Agosto em Portugal. A crítica alargada foi organizada pelo Rotten Tomatoes.
Segunda-feira, Julho 06, 2009
a night at the old vic...
Londres, Waterloo. 18h45.
Depois de andar uns minutos à procura da rua certa, de passar por pubs apinhados de gente dentro e fora do estabelecimento e de perguntar a vários ingleses por indicações, ei-lo. The Old Vic. Um dos teatros mais antigos e importantes de Londres, coordenado pelo actor norte-americano Kevin Spacey.
O teatro é relativamente imponente e tem o seu próprio quarteirão (sem prédios colados). Bilhete e programa na mão e com uns minutos para gastar, passei pelo Stage Door (a porta lateral dos bastidores), bati à porta, entrei e disse ao que ia: queria tentar falar com o actor Ethan Hawke para tentar uma entrevista (não conseguida pelos meios regulares).
Com grande compreensão, simpatia e honestidade explicaram-me que ele devia estar a chegar e que podia esperar por e perguntar-lhe.
No período de espera aparece um jovem húngaro (o único por ali) que mete conversa comigo (não, não me parecia gay) a perguntar: "estás à espera do Ethan Hawke?"
Estava, claro. Pelos vistos já tinha visto a peça no sábado (The Winter's Tale) e tirado foto com ele, mas tinha ficado tremida e como trabalhava mesmo ali e o Ethan Hawke revelou-se simpático tinha passado para novo foto, à luz do dia.
O jovem contabilista húngaro, a viver há quatro anos em Londres, revelou-se um grande apreciador de peças de teatro e aconselhou-me não perder as interpretações teatrais incríveis de Kevin Spacey (que só volta a actuar no final do ano) e de Jude Law.
As dicas sobre a cidade deste húngaro londrino: nunca vir trabalhar para Londres a ganhar menos de 25 mil libras por ano (a vida é muito cara e a cidade é cheia de vida e coisas boas, mas correspondem no preço). Após quatro anos como "londrino", disse estar cansado da vida frenética e cara da cidade e pensa mesmo em sair ("na Hungria dava para ver 5 peças de teatro nos melhores lugares por um bilhete num bom lugar aqui (45 libras)".
O tempo passava e Ethan não chegava (ele só entrava na segunda parte da peça The Winter's Tale). Perto das 19h20 sai dali e fui para a sala, que se revelou mais pequena e velha do que pensava, mas ainda assim imponente, clássica e agradável.
"No photos", recorda-me uma assistente. Só tirei uma da sala... foi pena (não vi nenhum sinal para não tirar fotografias).
A peça, encenada pelo inimitável Sam Mendes (Beleza Americana), começa pouco depois da hora combinada.
O início deixa-me algo apreensivo. O inglês é arcaico (é uma peça de William Shakespeare), as palavras iradas e ditas de forma muito rápida. É difícil acompanhar. Assim que começo a perceber a história e o que move as personagens, tudo se torna aliciante e envolvente, mas foi difícil entrar naquele mundo de reis gentlemans desesperados nas belas terras de Sicilia e Bohemia.
A mistura entre actores ingleses e norte-americanos (todos altamente reputados em teatro e muitos também em cinema) revelou-se engraçada - os estilos são, de facto, diferentes. A 1ª parte da peça, mas dramalhão e pesada, é mais inglesa, a 2ª parte é claramente mais norte-americana.
Pode parece óbvio, mas o actores mais conhecidos (do cinema) são de facto os que se revelaram mais talentosos. Fiquei maravilhado com três actuações: Ethan Hawke, Sinead Cusack (uma inglesa ao nível de Helen Mirren ou mesmo Judy Dench) e Rebecca Hall. Mas o talento abundava, e de que maneira, com os risos a estarem muito nas mãos de Ethan Hawke, que se revelou um espanto para a comédia shakesperiana (incrível), o experiente Richard Easton (já fazia filmes como Othello em 1953) e o jovem trapalhão Tobias Segel.
Ainda assim houve três enganos nos diálogos que suscitaram sorrisos no palco e risos na plateia (faz parte, é teatro!).
Ethan Hawke era um ladrão matreiro, esperto, profeta da desgraça e da graça, gozão e cantador de baladas (de viola em punho). Para além de não esperar que tivesse tanta piada, foi incrível a forma como fazia as cenas e fazia reparos directamente para o público, conseguiu dominar essa técnica com uma harmonia e graça contagiante, com estilo e personalidade muito própria.
Não espera tanto dele, confesso... ainda para mais de um tipo que ainda há umas horas atrás (14h30) tinha protagonizado outra peça de teatro, que faz parte deste projecto: The Cherry Orchard, de Chehkov - com o mesmo elenco.
Outra parte incrível foi a forma como cantou. Tem uma voz cativante, harmoniosa, ligeiramente roca (ao estilo rock)... notável. Diálogos e cantorias, tudo ao vivo e sem microfones (à antiga), a fazerem-se valer da boa acústica e da projecção das suas vozes. Tive sorte em ficar na terceira fila da frente... pertíssimo do palco... é uma sensação incrível. Uma experiência que recomendo.
No total a peça teve pouco mais de 2h30 (mais 15 min. de intervalo) e convenceu-me por completo. Confesso que 45 libras (há preços desde as 10 libras em lugares mauzinhos) é um preço justo para tanta emoção, drama, dança, cantoria e comédia junta.
Peça vista, fôlego recuperado. Passo outra vez pela pequena Stage Door (muita gente passa ali a pensar tratar-se do pub que fica mais à frente na rua e tem o mesmo nome, The Stage Door). Mas agora estão, à porta, umas 10 pessoas.
Começam logo a sair alguns actores e percebo que quem está ali à espera são amigos dos actores. A talentosa, promissora e lindíssima Rebecca Hall (Match Point, Vicky Cristina Barcelona, lembram-se dela?) sai, lança sorrisos e está mesmo ao meu lado a combinar qual o bar para onde vai com as amigas que a esperavam.
Ali os actores não são estrelas, são profissionais que saem do trabalho e vão ter com os amigos. Simples. Um dos actores americanos partilha com uns amigos compatriotas a experiência da peça e pergunta sobre o que eles andam a fazer. Outro actor, inglês, aproveita para voltar a apresentar o irmão aos outros actores.
Entretanto lá sai Ethan Hawke (sem ninguém conhecido à espera dele), curiosamente quando já todos os outros actores e respectivos amigos tinham saído dali.
Cumprimento-o e explico ao que venho: "não consegui entrevista pelo teatro, será que podias responder a umas perguntas..." Entretanto duas raparigas pedem-lhe uma foto. Ele, visivelmente cansado (peças todos os dias, hoje, duas vezes num dia), pede-me para esperar um pouco e aceita, "vamos lá num instante, é só sorrir não é?".
Depois lá me pergunta novamente: "então o que querias mesmo?" Lá lhe explico que era fazer umas perguntas de teatro, cinema... ele explica-me que está muito cansado mentalmente e com alguma pressa. "Sorry, interview maybe tomorrow, if you can... today i'm too tired"- pena eu não poder.
Sem entrevista, faço-lhe o pedido final, uma fotografia ao lado de um dos "lads" do Clube dos Poetas Mortos e do filme Exploradores. E ele diz, "Claro!"
Tiro a máquina da mala e ele chama as raparigas com quem tinha tirado uma foto antes, que já estavam a sair, e pede a uma delas para ser fotógrafa de serviço.
Fotografia tirada, ele ainda me diz que caso tenha alguma curiosidade pessoal para satisfazer sobre a carreira dele para o acompanhar um instante enquanto saimos do quarteirão e...
lá vou eu numa rua londrina ao lado do Ethan Hawke, esse mesmo que passeou pelas ruas de Viena e de Paris ao lado da bela Julie Delpy. Pergunto-lhe se há planos para fazer mais um filme da saga Before Sunrise/Sunset com Julie Delpy e o realizador Richard Linklater:
"Sem dúvida, queremos fazer o terceiro. Agora, é como os outros filmes, não sabemos quando nem onde... mas no futuro vamos voltar a juntarmo-nos, isso é certo".
Outra dúvida instantânea foi sobre as performances como cantor na peça. Foi mesmo impecável e cativante... lembrei-o da canção gravada no filme Reality Bites, em que a voz parecia demasiado rouca. E ele explica "nesse filme gravei isso com a voz completamente estoirada... foi giro mas pouco profissional, quase não tinha voz quando gravei". Já sobre a eventualidade de se aventurar na música com um álbum... "nunca pensei muito nisso, não é algo que procure. Ainda assim não excluo totalmente".
Terminado o mini-quarteirão do Old Vic, ele foi into the wilderness (disse que estava desesperado por chegar à cama), voltou a pedir desculpa por não dar a entrevista, cumprimentou-me e eu foi para o metro (tube) de Waterloo com uma história para contar e uma fotografia para recordar.
Amanhã, estar com a Sandra Bullock e Ryan Reynolds não se vai comparar em nada à experiência inesquecível de uma noite no Old Vic.

Vai sair em breve um filme curioso com Ethan Hawke, chamado Daybreakers, sobre um mundo povoado por vampiros onde o ser humano está em vias de extinção. Pelo trailer fiquei curioso.
Sábado, Junho 27, 2009
Rudo y Cursi
O momento da tarde. Gabriel García Bernal a cantar no belíssimo filme Rudo y Cursi. Foleiro? Parolo? Desafinado? Sim, tudo isso e muito mais. Carlos Cuarón, argumentista dos filmes do irmão Alfonso, estreia-se na realização em grande, num filme com um enredo cativante, muito bem escrito, filmado, pensado e interpretado (Gael García Bernal volta a juntar-se a Diego Luna).
Quinta-feira, Junho 18, 2009
In Sasha (Brüno) we trust
![[brunoleicester.jpg]](http://1.bp.blogspot.com/_fQot0yWnI48/Sjl3EsnLPuI/AAAAAAAAD9k/9VOvK2gPgMw/s1600/brunoleicester.jpg)
O grande Sasha Baron Cohen abrilhantou esta noite como só ele sabe a antestreia de Brüno na mítica Leicester Square, em Londres. Como seria de esperar, Sasha apareceu a encarnar a personagem do repórter de moda austríaco gay e sempre pronto para as poses - os austríacos é que não andam muito satisfeitos pelas provocações recentes de Brüno ao país, associando com Josef Fritzl, ainda assim estão prontos para rir.
Aliás, a pose facial deste genial Brüno (que sucede ao já de si extraordinário Borat, o repórter do Cazaquistão) faz lembrar as célebres poses de Ben Stiller enquanto modelo masculino no filme Zoolander.
Certo é que Sasha parece ter um fascínio por jornalistas/repórteres. Mesmo Ali G era especialista em entrevistas.
Das duas umas, ou Sasha adora gozar com jornalistas ou gostava de ser um deles. (ainda há a hipótese remota de escolher essa profissão para as suas personagens amalucadas por permitir-lhe facilmente interagir com outras pessoas, colocando todo o humor de situação a funcionar mais rapidamente... mas isto é muitooooo pouco provável).
Como é despidas que as personagens de Sasha Baron Cohen se sentem bem, Brüno (que anda a criar tensão em alguns ambientes) aparece assim na capa da GQ:
Terça-feira, Maio 19, 2009
Cinema de bolso
O filme gerou uma receita bruta de 403 mil euros. Ora, de acordo com a respectiva produção, custou um milhão e meio de euros.
Tendo em conta que à receita é necessário retirar custos de cópias, gastos em publicidade e ainda a percentagem que fica nos exibidores, pergunta-se: onde estão os lucros?"
João Lopes, in Sound+Vision
Sábado, Maio 02, 2009
Birth of a filmmaker

Há quem diga que os filmes das pessoas que conhecemos têm sempre mais encanto. Deve ter alguma dose de realismo. Mas a verdade é que gostei genuinamente da primeira longa metragem do meu ex-colega de faculdade João Rosas, presente na competição internacional, nacional e de cinema emergente do IndieLisboa.
Birth of a City é um filme de final de curso, com muitas limitações, mas repleto de significados, motivos de interesse e um ritmo que supera a maior parte dos filmes portugueses, nomeadamente os considerados de "autor".
Tendo a cidade de Londres, mais especificamente o bairro de Hackney - onde o João viveu durante os três anos de curso - como pano de fundo, cedo percebemos que não se trata de um simples documentário, ou que as imagens daquele bairro que aparecem não estão ali por acaso.
A voz-off do João conduz-nos por significados mais profundos do que as simples imagens. Há ali uma história e acima de tudo ideias claras e inspiradas sobre a crise actual, a sociedade e a forma de existirmos enquanto comunidade urbana.
As profissões, a rotina diária, os bancos e o seu papel. Tudo isto são reflexões de um trio: os pensamentos em voz-off do João, o nascimento de uma cidade em tela pintada pela incrivelmente talentosa Claire, e o próprio bairro londrino repleto de profissões, movimento e contradições.
Apesar de andar no limbo entre documentário e ficção, apesar de parecer por vezes uma curta-metragem alongada, apesar de ter alguns momentos que parecem ser desnecessários, esta é uma primeira obra claramente entusiasmante e promissora, feita de uma forma e com um talento para os significados intensos que raramente se vê no cinema português.
--
Visto o filme, fico com pena que não ter conseguido passar por Bethnal Green (a zona onde o João morou e onde o filme foi rodado) em Dezembro, quando fui pela primeira vez a Londres. "O melhor é encontrarmo-nos aqui pela minha zona, sem turistas nem show-off, é a verdadeira Londres", dizia-me o João nessa altura.
Links sobre o filme:
Entrevista ao Jornal de Letras
Ficha do Indie sobre o filme
Entrevista ao Ipsilon
Uma das curtas feitas no âmbito da Gulbenkian
Crítica ao filme de Jorge Mourinha
Birth of a City, de João Rosas
Segunda, 27 de Abril, às 21h45 e sexta, 1 de Maio, às 15h, na Sala 1 do Cinema Londres
“Era uma vez um rapaz em Londres. Dia após dia, ao andar pela rua, o rapaz, não sendo doido, ouvia a cidade falar consigo. Não eram só as pessoas, eram também os edifícios que falavam, e os autocarros e os comboios, os parques e os mercados. E diziam – ora gritando, ora sussurrando – fi lma-me! E o rapaz, dia após dia, de câmara em riste, em peregrinação, fi lmou. O quê? O seu bairro e quem lá vive e trabalha. E uma rapariga. Claire. Pintora. De quê? Cidades. Assim se fez Birth of a City, como se de um diário se tratasse. Espero que gostem.” (João Rosas)
"Como definirias "Birth of a City"?
Londres, Hackney, uma rapariga que pinta, uma banda que toca, umas férias de verão, uma crise financeira, operários que trabalham, vendedores que vendem, comboios que deslizam, autocarros que partem e um rapaz que tenta filmar cada história que a cidade tem para lhe contar.", in Ipsilon
Quarta-feira, Abril 22, 2009
Cannes para Tendas, Antunes e Portugal verem

Poster do Festival de Cannes 2009 criado por Annick Durban. O poster traz uma imagem do filme A Aventura (1962), de Michelangelo Antonioni. É a silhueta de uma mulher, a actriz Monica Vitti. A artista Annick Durban criou uma programação visual completa para o festival, das publicações à decoração interna do Palácio do festival. A seleção oficial do Festival de Cannes 2009 é anunciada amanhã. A 62ª edição estreia também um site novo.
Sábado, Março 28, 2009
Mais famosos a interpretar famosos
Dennis Quaid e Julianne Moore serão Bill e Hillary Clinton
Dennis Quaid como Bill Clinton, Julianne Moore como Hillary Clinton e Michael Sheen retomando o papel do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. É um elenco de luxo para "The Special Relationship", que será, se tudo correr bem, o último filme da trilogia que o argumentista Peter Morgan dedica a Blair, depois do telefilme de 2003 "The Deal" e de "A Rainha", que valeu o Óscar de melhor actriz a Helen Mirren em 2007.
Anne Hathaway interpreta Judy Garland no teatro e no Cinema
Anne Hathaway ("O Casamento de Rachel") vai interpretar o papel de Judy Garland na adaptação para cinema e teatro de "Get Happy: The Life of Judy Garland", a biografia escrita por Gerald Clarke, noticia a "Variety".
Domingo, Março 22, 2009
É a história que interessa
"Não me interessa fazer esses filmes de efeitos especiais como uma espécie de ginástica. Gosto das histórias. Cresci a ver filmes com histórias. Por exemplo, no caso de A Troca tive que usar alguns efeitos para recriar Los Angeles em 1928, mas era a história que valia.
Cada filme tem que ter algo que seja apelativo, uma história que valha a pena contar."
Clint Eastwood, em entrevista a João Lopes
Sexta-feira, Março 20, 2009
O passado em posters
Che
Jorge Mourinha in Ipsilon, sobre o díptico Che, O revolucionário em construção
Domingo, Março 15, 2009
Gran Torino e as misturas de Eastwood

Duro. Implacável. Bruto. Desagradável. Velho. De voz áspera. Adverso a novos amigos. Desta forma pouco agradável se pode descrever a complexa e incrivelmente cativante personagem Walt Kowalski, interpretada em Gran Torino de forma ímpar por Clint Eastwood.
A lenda viva do cinema volta a realizar e a protagonizar, com resultados espantosos, graças a uma história difícil e actual e a uma personagem feita de propósito para ele.
A trama começa logo após a morte da mulher de Walt.
Este veterano polaco marcado pela guerra na Coreia é rude com os filhos, que já pouco se importam com o pai e com o próprio padre, um «virgem de 27 anos, excessivamente letrado que pensa que sabe o que é a vida e a morte pelo que leu nos livros».
Sozinho na casa e no bairro de sempre, Walt vai cuidando de si e do seu Gran Torino de 1972, um Ford clássico, à medida que também olha com desconfiança e a habitual dureza para os novos vizinhos Hmongs, imigrantes do sudeste asiático.
O bairro mudou de feições, predominando cada vez mais imigrantes e gangues. A sua relação com os vizinhos asiáticos começa a mudar quando este velhote assustadoramente sério impede que o vizinho adolescente, Thao, lhe roube o seu Gran Torino, obrigado pelo gangue do seu primo.
A partir daí a família de Thao impõe ao adolescente que ajude o velho rezingão e pronto para a luta, e cria-se uma amizade improvável, que vai ser gravemente perturbada pela retaliação do gangue do primo de Thao.
Um filme cheio de força humana, dura, crua e emocional, que cativa .
--
"Aos 78 anos já não quero ser 'Dirty Harry'"
in Ipsilon
"Yeah, I liked the dilemmas he had to go through. I liked the message of antique America that is maybe obsolete. Walt may be obsolete." He laughs gently. "But he does learn new things. And that's what makes it interesting. You take a guy who's way out opinionated, insulting to equal opportunity" - this sounds like a phrase he's had to adjust to - "an insulter, and you put him with people where he's antagonistic as hell. And then all of a sudden he looks in the mirror and says, 'I have more in common with these people than my own spoilt, rotten family.' He's realising these folks like having him around, even though he's not particularly on the surface likable."
in Guardian
Sexta-feira, Março 06, 2009
O trailer do novo Harry Potter
Domingo, Março 01, 2009
Bedtime Stories

Deixo de seguida uma amostra das entrevistas/conferência de imprensa que fiz para o Destak.
Sandler vira-se para a Disney
Estive em Londres a entrevistar o elenco e realizador de Histórias para Adormecer, comédia da Disney que estreou quinta-feira em Portugal.
Adam Sandler faz comédias como protagonista há 14 anos mas, neste período e após muitos filmes, esteve sempre afastado da Disney e da comédia lá feita. Os filmes que protagonizou e escreveu até agora têm tendência para serem provocadores e arriscados, o oposto do que a Disney faz. Tudo isso mudou este ano com a estreia de Histórias para Adormecer, a comédia cheia de sonhos e esperança que Sandler fez «a pensar no meu miúdo e nos filmes que ele poderia ver».
O actor e argumentista, sinónimo de recordes de bilheteiras nos Estados Unidos, é tudo aquilo que se pensa à partida dele. Alguém sem vedetismo, com roupas simples, botas de campo, aspecto descontraído, um riso estranho e sempre pronto para a galhofa. Foi isso que vimos e ouvimos em Londres, numa conversa com os jornalistas repleta de bons momentos e pouca conversa séria, afinal o filme era para animar e não deprimir. «Vamos parar com estas perguntas e vamos olhar nos olhos uns dos outros e conhecermo-nos todos», foi a forma de Sandler “quebrar o gelo”.
O filme conta a história de um empregado de hotel cuja vida muda quando inventa histórias de adormecer com os sobrinhos e elas começam a acontecer na vida real. Quando tenta aproveitar-se do fenómeno, as contribuições dos sobrinhos complicam-lhe os planos.
Adam Sandler, que adorava as histórias de Willy Wonka quando era miúdo, explicou que improvisa histórias à sua filha de 2 anos, que está agora obcecada por comida e foi a grande razão para ele fazer este filme da Disney. «Ela obriga-me a inventar histórias sobre comida. Desde rios de geleia a lutas entre waffles e panquecas, à montanha de manteiga», disse. Sobre a rodagem foi em família: «Levávamos todos as nossas crianças para a rodagem e por isso viveu-se um ambiente muito familiar.»
Sandler: «Já fui a Portugal»
O actor juntou um elenco de amigos e pessoas que admira, incluindo o comediante britânico Russell Brandt, e o argumentista de sempre, Tim Herlihy. «Ter uma versão adulta de um filme da Disney era capaz de ser chato… mas é uma ideia», disse o energético comediante Russell Brandt (cada vez mais presente em comédias americanas), que mais parece um recordista em dizer piadas por minuto.
Rob Schneider, actor presente na maioria dos filmes de Sandler e que também esteve neste Histórias para Adormecer, fez recentemente uma campanha sobre as rolhas de cortiça em Portugal, chamada Save Miguel, para promover o seu uso na Austrália.
O Destak perguntou a Adam Sandler, quando é era a vez dele vir a Portugal? «Já estive em Portugal, adorei lá estar e espero levar o Schneider. Ele passou lá uma boa temporada e da próxima vai-me ensinar algumas coisas.»
Brandt num drama?
Já ao comediante Russell Brandt fizemos a seguinte provocação: Quando é que faz um drama nos Estados Unidos? «Provavelmente na próxima vez que fizer um telefonema por lá», explicou sem evitar rir-se. A resposta está relacionada com uma polémica recente que colocou Brandt nas manchetes dos ingleses.
O comediante aproveitou o seu programa de rádio mais arrojado e fez em directo uma chamada para o atendedor automático de uma personalidade inglesa, iniciando depois comentários jocosos sobre a neta do mesmo. Brandt arrependeu-se e pediu desculpa pouco tempo depois. Mas nem isso o salvou de muitas críticas e do fim do programa de rádio da BBC.
Brandt continuou a resposta: «Estou a fazer agora o filme Tempist, que é inspirado numa peça do Shakespeare… o que é vocês querem de mim em Portugal? Não consigo fazer as fitas do Cristiano Ronaldo, vocês chamam a isso uma comédia, não? (risos) Estou a brincar. Assim que alguém me der oportunidade posso tentar drama… eu faria um drama, sem dúvida».
-----------------------------------------------------------
Adam Shankman
O realizador de Hairspray, que vem do mundo da coreografia e tem-se especializado em comédias, explicou que as únicas limitações pelo filme ser da Disney eram «não bater em ninguém nem ter asneiras». «E isso foi muito fácil para os actores, porque criaram-se novas oportunidades... e ainda assim continua a ser um filme de Adam Sandler», explicou.
Já o Russell Brandt foi uma grande aquisição, porque ele «é incrivelmente divertido e simpático». «Como andavam sempre na rodagem os miúdos da Keri e do Adam, não havia asneiras», disse, revelando que sente sempre pressão e receio quando está a rodar um filme, porque sente «uma responsabilidade grande quando [lhe] confiam um grande orçamento.» «Tenho tido tanto sucesso que sinto que agora elevam-me sempre a barreira. Filmes como este são feitos de forma comercial para tentarem abranger o máximo de público possível. As reacções que tenho tido é que os miúdos estão a adorar e os adultos estão a rir-se muito no filme. E era só isso que eu queria.»
Keri Russell
A actriz que faz de alvo amoroso inicialmente improvável de Sandler no filme, contou-nos que foi a série Felicity (que chegou a passar na RTP1) que lhe permitiu chegar ao cinema e dar um salto na sua carreira. Depois de ter feito uma série de filmes onde se inclui Missão Impossível III, a actriz parou para ser mãe pela primeira vez.
Foi um telefonema de Sandler que a voltou a colocar no activo antes do previsto. «O Adam ligou-me quando estava muito grávida, não o conhecia, e ele disse “tenho um miúdo agora e ouvi dizer que vais ter um miúdo. Quero fazer um filme que o meu miúdo possa ver e quero que o faças comigo”». Foi desta forma simples e directa que Keri foi integrado no projecto de História de Adormecer da Disney. «Foi divertido e diferente trabalhar com o Adam, porque ele reescreve tudo o que faz e improvisa muito, por isso tive de me deixar ir e segui-lo».
Os enigmas de Lynch

The interview: David Lynch
With his enigmatic masterpieces Blue Velvet, Twin Peaks and Mulholland Drive, the director created a dark, disturbing vision of America. Now, he says, he is done with films in favour of making art from paint, cameras and 'toxic materials' – and practising transcendental meditation. He talks to Gaby Wood. Portrait by Jérôme Bonnet
(...)
He enters, a dishevelled version of himself: the rockabilly hair caving at an angle, the buttoned-up white shirt not as neat as it might be, silvery stubble on his chin. He offers me a coffee – his own brand, of which he drinks at least 15 cups a day – and settles into a battered armchair with a packet of American Spirit cigarettes. The concrete floors turn out to have a practical purpose: you can routinely drop cigarette ash on them without worrying about starting a fire (the chair in Lynch's studio is forever at risk of being buried in butts).
"I just love this camera," Lynch says, in his nasal, deliberate, almost robotically enthusiastic voice. We are looking at a large chiaroscuro nude, which has been printed in two parts and hung on the wall, and Lynch is telling me about his Hasselblad digital. Unbelievable. Thirty-nine million pixels. The camera remembers something like 4,000 pieces of information per photograph. It is machine. It's a machine." A look of delight passes across his face. "It's just a glorious world," he says.
(...)
Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009
Frases que ficam
personagem de Paul Newman, numa frase que concluiu o clip de homenagem aos responsáveis da indústria que morreram em 2008.
It's the Oscars, via Milano
Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009
Oscars 2009: Façam as vossas apostas

O Público está a lançar-se em grande para a cerimónia dos Oscars da próxima madrugada de segunda-feira. É possível votar nas categorias principais, observar as novidades no site oficial sobre o evento e na noite em questão ler e comentar os desenvolvimentos relacionados com os prémios da arte que mais pessoas apaixona em todo o planeta (deve estar ali ela por ela como a música, digo eu).
NY Times: Where There’s Hope, There’s Oscar
NT Times: Recovering Treasures From Below the Radar Os filmes fora dos radar oscariano mas que são verdadeiros tesouros
Exercício curioso foi o que os críticos do Público fizeram no site do Ipsilon: E os nossos vencedores são...?
As minhas preferências, dentro deste modelo de quem vai ganhar e de quem eu acho, muito pessoalmente, que deveria de levar a estatueta para casa (já que eu não posso levar esse peso para a minha estante por cima da sanita) são:
Filme
Vai ganhar: Quem Quer Ser Bilionário? - porque é a surpresa da companhia, que começou independente, conquistou audiências pelo mundo e terá arrebatado os Estados Unidos e respectivos membros da Academia
Devia ganhar: Embora goste bastante de Milk, o meu preferido é O Estranho Caso de Benjamin Button - é um "David Fincher". Pode ter argumento de Eric Roth e ser comparado do Forrest Gump, mas tem uma aura diferente graças a timings certos, realização brilhante a todos os níveis (inclusivé o ponto de vista técnico) e consegue arrebatar nos pontos fulcrais mesmo se tratando de um filme de grandes meios e de um grande estúdio. É a prova de que os realizadores certos conseguem fazer épicos emocionais que nos deixam a pensar por muito e bom tempo mesmo com filmes "de estúdio", cada vez mais marginalizados e não representados (justamente, atenção) dos Oscars.
Falta na lista: Dúvida. O filme de John Patrick Shanley goza de uma tensão dramática e uma capacidade de nos fazer duvidar de quem duvida e de quem não duvida que nunca tinha experienciado desta forma. Incrível como um filme tão simples, sem banda sonora nas cenas fulcrais, consegue ser tão eficaz e arrebatador.
Realizador
Vai ganhar: David Fincher - porque o Slumdog Millionaire já levou o prémio de Melhor Filme e a Academia deve decidir premiar outro realizador de um dos grandes filmes do ano. Gus Van Sant é outro forte candidato, mas não acredito que vença nem acho que mereça verdadeiramente (Milk vive, não só, mas muito de Sean Penn).
Devia ganhar: David Fincher - é um realizador de culto e não culto incrivelmente dotado, que consegue ter a capacidade de aliar a parte técnica de melhor nível no mundo aos propósitos de estórias difíceis de digerir mas únicas. É um realizador de excepção, que fez um filme de excepção e merece vencer um prémio de excepção: o Oscar.
Falta na lista: bato na mesma tecla: Dúvida. John Patrick Shanley.
Actor
Vai ganhar: Mickey Rourke - é o regresso duro e em grande após a travessia do deserto que a Academia não deve deixar passar em claro.
Devia ganhar: Ainda não vi The Wrestler pelo que não posso dizer Mickey Rourke, embora goste da personagem e do actor e ache que merece pelo que conseguiu. Sean Penn fez um papel fabuloso em Milk (consegue apagar a sua imagem do filme para dar vida à personagem) e merece mais um Oscar; Brad Pitt tem feito um conjunto de bons filmes e belos desempenhos e em Benjamin Button fez mais um óptimo trabalho - também merecia.
Actriz
Vai ganhar: Kate Winslet. Tem seis nomeações e nunca venceu um Oscar. O filme The Reader vale muito por ela e por isso deve vencer.
Devia ganhar: Meryl Streep - o papel dela em Dúvida, tal como Sean Penn em Milk, mostra uma Meryl ao melhor nível de sempre. A personagem austera e rígida ganha uma dimensão humana incrível e, para mim, Meryl merece o quarto Oscar após a sua 15ª nomeação.
Actor secundário
Vai ganhar: Heath Ledger - O Joker dele conseguiu igualar e em muitos momentos superar o de Jack Nicholson e, apesar de ser nomeado a título póstumo, não é favor nenhum que fazem ao lhe dar o Oscar.
Devia ganhar: Heath Ledger - Em O Cavaleiro das Trevas ele é protagonista e não actor secundário. Joker é assustador, louco e extremamente verosímil e humano.
Actriz secundária
Vai ganhar: Penélope Cruz - o papel dela em Vicky Cristina Barcelona dá ao filme de Woody Allen uma dimensão muito mais curiosa e a Academia deve premiar a espanhola.
Devia ganhar: Amy Adams - conseguiu impor-se num papel difícil e em que consegue alimentar com perfeição a interpretação de Meryl Streep em Dúvida.
Domingo, Fevereiro 15, 2009
As diferentes adaptações em português

Título original: Ferris Bueller's Day Off
Título em Portugal: O Rei dos Gazeteiros
Título no Brasil: Curtindo a Vida Adoidado
Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009
O Poder da Crítica
Somos tão pequeninos - Bruno Nogueira
"Vasco Baptista Marques deu uma bola preta a "Slumdog Millionaire" no Expresso.
Nota miserável, portanto.
Diz ele que o filme "consolida a "pornografia da pobreza" que nos vende a miséria como um espectáculo de consumo rápido".
Luís Miguel Oliveira no "Público" diz sobre a visão do realizador da India: "Danny Boyle não conseguiu sentir mais do que o cheiro a merda.
Fino."
(...)
"Ser crítico de cinema, salvo raras excepções, só obedece a uma regra básica:
Dizer mal daquilo que está em alta.
Há qualquer coisa de intelectual em contradizer as massas.
O pior é quando se contradiz com disparates de algibeira.
Perdoem-me o tom, mas é claramente uma demonstração de pequeno poder."
O João Lopes fala sobre este tema, nomeadamente a violência verbal que os críticos profissionais estão sujeitos pelo simples facto de alguém não concordar com eles - nota-se mais na Internet, onde há mais feedback.
Para mim há dois tipos de críticas. As críticas que eu respeito (discordando ou concordando com as opiniões lá mencionadas), e as críticas que me parecem utilizar argumentos fracos e que se baseiam mais em embirrações pessoais do que outra coisa qualquer. De uma forma ou de outra, todas têm a sua legitimidade de existir, mesmo aquelas que parecem embirrar com certos temas ou maneiras de abordar o cinema.
Terça-feira, Fevereiro 10, 2009
As outras 14 Dúvidas de Meryl Streep
![[todas-indicacoes-oscar-meryl-streep_f_001.jpg]](http://1.bp.blogspot.com/_fQot0yWnI48/SZDh8a_VEtI/AAAAAAAADtU/yqZdwN-ANbY/s1600/todas-indicacoes-oscar-meryl-streep_f_001.jpg)
Vale a pena rever aqui fotos das 15 nomeações (detém o recorde) de Meryl Streep nos Óscares. Para mim Streep merece levar mais um para casa pelo papel de irmã Aloysius no singular Dúvida. Esta imagem diz tudo, ou quase.
Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009
O regresso esperado de Julia

O NY Times garante que Julia Roberts vai voltar ao cinema como protagonista no filme Duplicity, com Clive Owen e escrito e realizado por Tony Gilroy (fez Michael Clayton), que irá estrear no próximo mês. Boas notícias, portanto.
O regresso de uma das actrizes mais sensacionais dos anos 90, que não teve ainda ninguém que calçasse os sapatos.
Domingo, Fevereiro 08, 2009
Imagens que reflectem cinema

A Vanity Fair consegue reunir imagens incríveis em momentos pertinentes. O tema agora é, claro, os Oscars. Há várias fotografias curiosos - são todas de Annie Leibovitz. Um dos quais é o de Heath Ledger, numa foto de 2005, misturada com outra de 2009 ao realizador de The Dark Knight, Chris Nolan. Também gostei bastante de John Patrick Shanley a olhar para Meryl Streep.



